Debaixo do espelho das águas
uma silhueta de menina
desliza de biquíni azul
na parte rasa da piscina.
Seus longos cabelos de cachos
castanhos alisados pelo cloro
introduzido no pensamento
obsceno de quem observa.
Mas nem tudo era azul
sob a epiderme manchada
de um sol que abrasava as
partes brancas e imaculadas
do ladrilho lavado todos os dias.
Gostaria de saber
quem são aquelas
mulheres da capa
do livro dos Aflitos. (*)
Quem sabe assim
eu pudesse, voltando
ao passado e aos
costumes antigos,
dar a volta no sentido
contrário aos das moças
e perguntar-lhes:
“Quer voltar?”.
E aí, se fosse aceito o pedido,
eu estaria abrigado sob as
saias e a proteção do grande
guarda-chuvas de uma delas,
a do canto.
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(*) refiro-me à capa do livro “De São Sebastião dos Aflitos a Ervália – Uma Introdução”, de minha
autoria